Com 43 anos, Pedro Gadanho, licenciado e doutorado pela Universidade do Porto, está de malas feitas. Apaixonou-se pela arquitectura com o filme “The Fountainhead” mas não...
Há menos de uma semana curador de arquitetura contemporânea no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque, o arquiteto e curador Pedro Gadanho já prepara uma exposição para setembro, que considera o seu "primeiro desafio".
Escolhido no final de 2011 para curador do Departamento de Arquitetura e Design do Museum of Modern Art (MoMA), Gadanho chegou esta semana a Nova Iorque e quer imprimir nas exposições do museu norte-americano sobre arquitetura um maior "diálogo" com a arte, desde a pintura à fotografia e ao cinema.
"O meu primeiro desafio, em setembro, vai ser assegurar a rotação da coleção na `rentrée´, com alguma responsabilidade, algum peso sobre aquilo que serão as minhas escolhas e decisões a nível temático. Será o primeiro grande trabalho", disse Gadanho em entrevista à Lusa.
Nestas exposições de rotação de acervo, afirma, "é possível imprimir uma certa perspetiva no repescar de obras da coleção do MoMA, que não são vistas há muitos anos, agora lidas de outra forma porque já se passou muito tempo sobre a sua produção".
Com cerca de 30 mil peças, a coleção de arquitetura do MoMA é considerada das maiores em todo o mundo, a par da do Centro Georges Pompidou, em Paris.
Depositária de grande parte do arquivo do histórico do arquiteto holandês Mies van der Rohe, inclui maquetes, plantas, fotografias e outros objetos relacionados com algumas das obras mais emblemáticas da arquitetura internacional.
Gadanho é mestre em Arquitetura pela Universidade do Porto, mestre em Arte e Arquitetura pelo Kent Institute of Design do Reino Unido.
Possui também um doutoramento em Arquitetura e Mass Media pela Universidade do Porto, onde lecionou na Faculdade de Arquitetura (FAUP).
Foi curador de várias exposições de arquitetura na Europa, incluindo a de Portugal na bienal de Veneza em 2004.
Trabalhando com Barry Bergdoll, curador-chefe de Arquitetura e Design do MoMA, Gadanho quer reforçar as "relações interdisciplinares" entre o seu departamento e outros dentro da instituição cultural norte-americana.
"Quero ligar mais o que é a produção arquitetónica ao trabalho de artistas, de fotógrafos, de cinema. De certo modo, instigar algo que só neste museu é possível: o diálogo de grandes peças em todas as áreas da produção cultural moderna e contemporânea", disse à Lusa.
A inclusão de obras de arte em exposição de arquitetura é pouco habitual, mas Gadanho acredita que permite "evidenciar relações entre diferentes abordagens e a realidade".
Gadanho terá ainda em mãos a organização, até 2014 ou 2015, de uma grande exposição temática, que vai juntar objetos da coleção do MoMA com empréstimos e outras obras escolhidas.
Tem também a seu cargo o enriquecimento da coleção do museu com novas aquisições sobre a arquitetura contemporânea, e identifica desde já algumas lacunas, nomeadamente do mais famoso arquiteto português, Siza Vieira.
"É um mundo imenso e não é que, por isso, seja muito exaustivo ou completo. É uma coleção que está permanentemente em evolução, vai acompanhando a produção arquitetónica que está a acontecer", adiantou.